logo-autarquia

A obter dados...

Lendas e Tradições


Lenda da Moura

D. Afonso Henriques, para alargar o território português, conquistou muitas cidades e vilas, entre as quais se conta a de Evoramonte. Para a conquistar, travou-se uma grande batalha nestes campos, da qual ficaram vencedores os soldados de Geraldo Sem Pavor.

Os Mouros que habitavam a vila foram aprisionados e, entre estes, uma linda menina muito nobre, cujo casamento com um rico e nobre cavaleiro estava há muito determinado para esse dia em que, inesperadamente, Evoramonte foi assaltada. Esta circunstância impediu que se realizasse o sonho venturoso dos dois amantes, porque, primeiro que tudo, a pátria em perigo precisava do braço valente do nobre mouro. Esta contrariedade, porém, não o desanimou e foi até com alegria que cingiu as armas e montou fogoso ginete.

Ao seu espírito belicoso parecia ainda mais belo desposar a sua bem amada, coberto de louros colhidos no campo da honra e por isso, ele, o juvenil guerreiro, com todo o entusiasmo, se arremessou contra as hostes inimigas. Porém, a fortuna foi adversa aos mouros...

Dos mouros que naquele dia não caíram no campo de honra, uns foram aprisionados e outros fugiram, entre estes, o jovem mouro.

A situação era deveras dolorosa para os desventurados prisioneiros e especialmente pare a formosa moura, cujo pesar era agravado pela imensa mágoa de não saber novas do seu bem amado.

Não resistiu a linda moura por muito tempo a tão triste e cruel situação porque o definhamento do seu organismo, cansado por tamanhos desgostos, a tombou bem depressa na sepultura. Assim terminou a vida desta grácil agarena, que teve por tálamo a terra fria de sepultura e por flores, que simbolizassem a sua virgindade, as lágrimas amargas dos seus compatriotas.

No dia imediato a este triste acontecimento, de madrugada, as vigias que a esta hora estavam nas muralhas, avistaram a meio da ladeira da vila - sitio que hoje é conhecido por Alpedriches - sobre uma rocha em forma de leito, um homem que parecia adormecido. A curiosidade imediatamente os levou lá e viram então que era um jovem mouro, o noivo de bela agarena que tinha falecido na véspera.

Também ele estava morto.

Das suas pálpebras semicerradas ainda lhe pendiam duas cristalinas lágrimas, que a dor extravasava do seu coração duplamente ferido. A desdita do mouro comoveu os cristãos, que lhe deram sepultura junto á de sua linda noiva e assim os dois amantes alcançaram na morte o que a vida lhes negara - a união.

A rocha onde foi encontrado o mouro chama-se desde então, e por esse facto, a cama do mouro.

Diz-se ainda que a moura, na noite de S. João à meia-noite, aparece no Poço do Clérigo penteando as suas Louras tranças e entoando uma triste e dolente canção de amor.

 

Lenda do Pego do Sino

O Pego do Sino fica situado a cerca de 5 km da vila, na Ribeira de Têra, numa zona em que as margens formam elevados penhascos e gargantas que, em certos locais, quase permitem que as duas margens se liguem.

Os penhascos entendem-se par uma extensão de mais de 500 metros, atingindo, em certos locais, uma altura de 50 metros. No Pego do Sino, as águas chegam a atingir uma profundidade de cerca de 6 metros. É por isso, um local emblemático, cujas características dão azo a crendices populares e, neste case, á seguinte lenda:

Diz a lenda que na noite de S. João, á meia-noite, o escuro de noite é invadido par mil luzes a brilharem sobre os penhascos, como se de uma procissão se tratasse.

Ao mesmo tempo, ouve-se por entre as penedias o choro de uma criança, o cantar de um galo, o mugido de uma vaca, o balir de um borrego e um sino a tocar.

Dizem algumas pessoas que já viram marcadas nas rochas, as pegadas de uma criança, de um galo, de uma vaca e de um borrego. No entanto, desconhece-se o local onde estas pegadas se encontram cravadas.

Publicado por: Freguesia de Évora Monte - Santa Maria

Última atualização: 26-01-2026

Partilhar